sexta-feira, 13 de agosto de 2010

INTEGRAÇÃO DE TECNOLOGIA E MÍDIAS NO FAZER PEDAGÓGICO


Raimunda Gomes dos Santos


Internet: lugar de autoria ou plágio?



Atualmente a internet tanto pode ser um lugar de autoria e de construção do saber, como de plágio e repetição. Na primeira geração da web, os usuários tinham maiores dificuldades para criar, pois a Web 1.0 funcionava como folhetos virtuais, com conteúdos estáticos que poderia ser apenas visto e lido, possibilitando assim, mais a reprodução do que a criatividade. No entanto, ocorreram mudanças significativas na rede, integrando e promovendo o compartilhamento de recursos e ferramentas já existentes e com elas a incorporação do termo Web 2.0, marcando à segunda geração da Web. Com isso a Web passa a representar um ambiente mais dinâmico pelo significativo avanço no grau de interatividade e, conseqüentemente, pelas possibilidades de troca de informações e de colaboração, permitindo aos usuários contribuir e participar ativamente na organização e elaboração do conteúdo disponibilizado na rede.


Um ótimo exemplo é o ambiente WebSaber, construído sobre a Internet e voltado para a resolução cooperativa de problemas. O ambiente foi estruturado em torno de seus dois tipos de usuários: o professor e o aluno e está organizado segundo um modelo de hipertexto e é apoiado em sites Web e em ferramentas de comunicação e cooperação. Dadas algumas dificuldades relacionadas a trabalho cooperativo, ou seja, a confiança mútua, a reciprocidade, a interação, a responsabilidade individual e o compartilhamento e socialização das informações entre alunos e professores, a necessidade de segurança em ambientes distribuídos e a busca de eficiência na execução das atividades, sugere-se que o número ideal de participantes envolvidos na resolução de problemas gire em torno de 10/15 alunos.

Mas, a evolução da Internet por si só não garante que ela seja um lugar de autoria para seus usuários, tratando da Educação, para alunos e professores. Para que o uso das tecnologias não continue limitado apenas ao mero manuseio dos equipamentos ou a reprodução de informações, se faz necessário convidar alunos e professores a criar, a ser autor ou co-autor, buscando a apropriação das mídias para a criação de conteúdos num trabalho colaborativo


Como foi dito, o trabalho deve ser colaborativo, não de transferência de responsabilidade do processo educacional para os alunos; o professor deve estimular a autonomia, a busca de conhecimento e a criatividade, acompanhando, dando a linha mestra, garantindo a organização que faz com que os alunos adquiram conhecimentos significativos. Uma excelente proposta para fundamentar o trabalho do professor é a Pedagogia da Autoria. Por se tratar de um processo marcado pela riqueza de estratégias didáticas, intencionalidade e profundidade, que se inicia com a exploração (busca de informações em diferentes fontes), continua com a experimentação (comparar, argumentar, testar, extrapolar, enfim, descobrir o que fazer com as informações) e conclui com a expressão direta (autoria, a partir das informações coletadas, analisadas e trabalhadas).


Na pedagogia da autoria devem ser consideradas as múltiplas inteligências dos indivíduos, as inúmeras possibilidades de abordagem multidisciplinar e os desafios tecnológicos e de linguagem que decorrem de uma proposta de criação – o que implica destacar, também, a importância da construção colaborativa. Ao assumir o compromisso de expor sua produção à sociedade, o autor torna-se mais consciente e atento à construção do conhecimento e às implicações éticas do seu trabalho. (NEVES, 2005).


Contudo, para que a Internet torne-se um lugar de autoria é necessário também que o professor possua fluência tecnológica, ou seja, que vá muito além da posição de consumidor de programas e informações, para desenvolver habilidades de digitar texto, navegar a internet, conhecer comandos repetitivos, mas igualmente dar conta de empreitadas não-lineares interpretativas.


DEMO (2008) afirma que:




Certamente, fluência tecnológica faz parte hoje das condições fundamentais de trabalho docente. Ao mesmo tempo, com apoio tecnológico torna-se mais viável mudar a didática escolar, hoje encerrada na aula instrucionista. Essa aula é tão contraproducente que, se aumentada, tende a diminuir o desempenho escolar do aluno. Talvez o horizonte mais atraente – embora não automático – seja o da autoria: professores autores, também por conta da fluência tecnológica, podem mais facilmente forjar alunos autores.






Comungamos com o pensamento de NEVES (2005) de que todo processo que não se limita a adestramento e deseja ser efetivamente educacional busca formar um cidadão competente, criativo, capaz de aprender autonomamente. Se a pedagogia que embasa nosso trabalho levar à autoria, se nós professores formos preparados para orientar nesse sentido, se os materiais e as tecnologias disponíveis reforçarem a análise crítica, a iniciativa e o desejo de criar, então teremos alunos que vêem sua auto-estima reforçada e que se motivam a buscar a pesquisar e elaborar na Internet e não plagiar.



Referências:




DEMO, Pedro. Habilidades do Século XXI, Boletim Técnico do SENAC, Rio de Janeiro, v. 34, n. 2, maio/agosto 2008. Disponível em http://www.senac.br/bts/342/artigo.pdf, acesso em 07/08/2010.


Material do aluno. Curso de especialização – Tecnologias em Educação – Componente Curricular: Prática Pedagógica Utilizando Ferramenta de Autoria. CCEAD – PUC – RIO – MEC.
 NEVES, Carmem Moreira de Castro, Pedagogia da Autoria, Boletim Técnico do SENAC, Volume 31 – Numero 3 – Setembro/dezembro 2005. Disponível em http://www.senac.br/bts/313/boltec313.html, acesso em 07/08/2010.


Websaber: um ambiente para a aprendizagem cooperativa baseada na resolução de problemas. http://ism.dei.uc.pt/ribie/docfiles/txt200372911256Websaber.pdf. acesso em 06/08/2010.




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